Bill Russell: o arquiteto não convencional do domínio da NBA

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Bill Russell não se encaixava no molde. Ele não era um atirador. Ele não era um artilheiro. Na verdade, sua porcentagem de gols em campo na carreira de 44% faz os analistas modernos estremecerem. Ele foi um desastre mecânico na linha de lance livre, refletindo as lutas de seu rival, Wilt Chamberlain. Se você olhasse a ficha de estatísticas de 1980, quando a Associação de Escritores de Basquete Profissional da América o elegeu como “o Maior Jogador da História da NBA”, você ficaria confuso.

“Ele era um jogador que conseguia dominar um jogo sem marcar.”

Os eleitores viram o que as pontuações da caixa perderam. Eles viram as pernas elásticas. Eles viram a perseguição implacável. Russell saltou em altura 6’10 “na faculdade. Ele liderou a NBA em rebotes por jogo cinco vezes. Sua defesa e bloqueio de chutes eram suas especialidades, dominando o alardeado contra-ataque do Boston Celtics. Ele provou que você pode dominar um jogo sem somar pontos.

The Late Bloomer de Oakland

Nascido em 12 de fevereiro de 1934, em Monroe, Louisiana, Russell não era um atleta nato. Sua família mudou-se para Oakland quando ele tinha nove anos. O jovem Bill era magrelo. Estranho. Aos 15 anos, ele tinha 1,80m, mas pesava apenas 60 quilos de pele e ossos. Ele era um destro natural até que um tio o convenceu a mudar para a mão esquerda. A lógica era simples: os canhotos tinham vantagem no beisebol. Provavelmente também lhe deu uma no basquete.

Na McClymonds High School, em Oakland, ele nunca marcou mais de 14 pontos em um jogo. Nada sugeria que ele se tornaria um profissional. Ele aceitou a única bolsa oferecida, para a Universidade de São Francisco. Aí ele amadureceu. Fisicamente. Mentalmente.

Ele levou os Dons a um recorde da NCAA de 55 vitórias consecutivas. Campeonatos nacionais consecutivos em 1955 e 1956. Essas equipes contavam com o guarda K.C. Jones, outra futura lenda do Celtics. O sucesso de Russell na faculdade se traduziu em uma medalha de ouro nas Olimpíadas de 1956 em Melbourne. As peças estavam se encaixando.

O rascunho que mudou Boston

Surpreendentemente, Russell não foi a primeira escolha no draft de 1956. Os Rochester Royals selecionaram Sihugo Green, um guarda de Duquesne. Louis Hawks ficou em segundo lugar. Eles trocaram sua posição com o Celtics por Ed Macauley e Cliff Hagan.

A história olha para esse comércio de forma diferente agora. Os Hawks ganhariam o campeonato em 1958. Hagan teve uma carreira notável. Mas o Celtics levou a melhor no negócio. De longe.

Com Russell de 6’10 “no centro, Boston tornou-se quase imparável. Eles ganharam 11 campeonatos durante sua gestão. O primeiro veio em 1957, sua temporada de estreia. No ano seguinte, eles perderam para os Hawks nas finais. Russell sofreu uma lesão no tornozelo no jogo 3. Isso doeu. Mas então vieram oito campeonatos consecutivos.

A rivalidade de Chamberlain

As batalhas de Russell com Wilt Chamberlain foram lendárias. Eles se encontraram 142 vezes. As estatísticas contam parte da história.

  • Russell: 23,7 pontos, 14,5 rebotes.
  • Chamberlain: 28,7 pontos, 28,7 rebotes.

Wilt dominou estatisticamente. Na temporada 1961-62, Wilt teve média de 50,4 pontos. Russell teve média de 18,9. Mesmo assim, Russell ganhou o prêmio MVP. Naquela época, os jogadores votaram a favor. Ele levou seu time ao campeonato. Essa foi a diferença. Frank Deford chamou Russell de “o epítome da habilidade e da vitória no esporte”.

Não era sobre os pontos. Tratava-se de vencer.

A Era Jogador-Treinador

Os Celtics perderam o título para Chamberlain e os Sixers em 1967. Foi o primeiro ano de Russell como jogador/treinador. Eles o recuperaram em 1968. Depois veio 1969. Uma reviravolta chocante para o Lakers.

Jogo 7. Russell jogou todos os 48 minutos. Ele pegou 21 rebotes. Foi seu último jogo. Seus joelhos estavam destruídos pela artrite. Ele não tinha mais nada a provar. Ele anunciou sua aposentadoria naquele verão, aos 35 anos. O Celtics caiu para o sexto lugar na temporada seguinte, 26 jogos atrás do New York Knicks.

O Rei da Recuperação

Russell capturou 21.620 rebotes em sua carreira. Perdendo apenas para o total de Chamberlain. Em 10 de suas 13 temporadas, ele teve média de mais de 20 rebotes.

Os números ficam absurdos quando você olha para jogos individuais. Em 1960, contra o Syracuse, ele agarrou 51. Certa vez, ele teve 32 rebotes ao meio. Um recorde da NBA. Os registros de bloqueios de chutes não foram mantidos até a década de 1970, mas o ex-árbitro Earl Strom estimou que Russell bloqueou de 8 a 10 chutes por jogo durante a maior parte de sua carreira.

Legado e além

Após a aposentadoria, Russell se interessou por atuação e radiodifusão. Ele treinou o Seattle SuperSonics por quatro temporadas e o Sacramento Kings por uma. Ele escreveu duas autobiografias: Second Wind e Go Up For Glory. Ele foi eleito para o Hall da Fama em 1974.

Mas seu melhor momento? Não foram os campeonatos. Foram os playoffs de 1962.

Para conquistar o quarto título consecutivo, o Celtics precisava de um herói. Jogo 7 das finais contra o Lakers. Jerry Oeste. Elgin Baylor. Russell era uma presença imponente. Correndo. Passagem. Quebrando as placas. Intimidador.

Frank Selvy errou um arremesso. Russell se recuperou. Preservou o empate por 100 a 100 no final do regulamento. Os Celtics escaparam com uma vitória por 110-107 na prorrogação. Um Russell emocionalmente esgotado chorou no vestiário. Ele fez 30 pontos. 40 rebotes.

Nenhum outro jogador teve mais de 38 rebotes em um jogo das Finais. Ele estabeleceu um recorde de rebotes em um quarto com 19.

Ele definiu o que significava ser ótimo. Não pelos pontos do tabuleiro. Mas pelo silêncio que ele forçou a oposição.